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| Quem tem pai não apela para o crack - 172 |
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| Escrito por Dom Zeno | |||
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Eu não sei se não é ainda cedo para fazer uma afirmação tão categórica, porque pode acontecer amanhã ou depois que eu tenha que reconhecer o meu engano. Entretanto, nesta campanha contra o crack, os jornais da capital apresentaram uma série de reportagens sobre a situação em que ficam as pobres mães desesperadas por já não saberem o que fazer com o filho viciado nesta droga. Chamou-me muita atenção que não falavam do pai, ou se falaram não o percebi. De qualquer forma, a impressão de um leitor é de que nas famílias que tem pai e mãe, cada um assumindo a sua missão educadora, estas e outras drogas têm muito mais dificuldades para entrar. Com a experiência de quem trabalha há 36 anos com o CLJ, isto é, com jovens de 14 a 18 anos, inúmeras vezes percebemos que uma família bem constituída é uma verdadeira vacina contra as drogas. Mas, a participação em um bom grupo de jovens igualmente. E quando temos os dois elementos (boa família e bom grupo) então temos praticamente uma garantia de que estes jovens não serão atingidos e conseguirão trabalhar na construção de seu ideal. Está cada vez mais claro que a pessoa humana vive o seu momento mais decisivo nos primeiros três anos de vida. É o período pré-natal e os dois anos de total dependência da mãe e do pai. É nesta hora que a criança cria a sua personalidade. Nesta hora, a criança precisa ter a certeza de estar dentro de um lar seguro e estável. É essencial que ela veja seu pai e sua mãe felizes, se acariciando mutuamente e assim ela se sente segura, num lar que não está desmoronando. Ela precisa do afeto masculino, que lhe dá segurança, e da ternura de uma mãe que lhe dá a certeza de ser amada e desejada pelo casal. Em toda a sua infância, é essencial a presença do pai e da mãe, se não por muito tempo, ao menos com grande intensidade. É certo que não existe brinquedo no mundo, eletrônico ou não, que substitua o pai ou a mãe. A criança gostaria de brincar com gente de carne e osso, com seus pais. Podem observar: a criança chora quando o pai ameaça (ou faz de conta) dar um tapa na mãe. É claro que ela fica desesperada quando vê o pai gritando com a mãe ou vê a mãe batendo no pai. Dizem os psicólogos que a criança tem uma intuição forte e percebe quando o relacionamento entre pai e mãe está passando por dificuldades. Ela não dorme, quando percebe que sua segurança está ameaçada. Então, o que dizer de um adolescente que perde o contato com o pai, ou porque morreu, ou porque foi embora, ou porque não liga mais para ele? É dramático para um jovem saber que o pai está em casa, vem lá para comer e dormir, e não dá mínima importância ao filho jovem. Certa vez, um jovem, já pela segunda vez no mesmo mês, foi expulso da escola. O pai então o trouxe para falar comigo, já que era um integrante do pré-CLJ. O moço me disse imediatamente, sem pestanejar: “Eu só quero ver se o pai uma vez vai ao meu colégio. Ele simplesmente não liga para o meu estudo”. Por isso, eu penso que um pai que vive com a sua família, valoriza os seus filhos, acompanha a vida dos jovens, está dando uma força muito grande para que não caiam na droga e tornem-se pessoas bem definidas e com um ideal muito determinado.
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