Diocese de Novo Hamburgo

ORIENTAÇÕES SOBRE SEMANA SANTA

- Dom Zeno Hastenteufel

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CÚRIA DIOCESANA

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DIOCESE DE NOVO HAMBURGO

Rua Joaquim Nabuco, 543 – Cep 93310-002 – Novo Hamburgo/RS

 

 

 

Novo Hamburgo, 31de março de 2020

 

 

Escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e teus descendentes, amando ao Senhor teu Deus, obedecendo à sua voz e apegando-te a ele – pois ele é a tua vida e prolonga os teus dias -, a fim de que habites na terra que o Senhor jurou dar a teus pais Abraão, Isaac e Jacó.” (Dt 30, 19b-20)

 

ORIENTAÇÕES PARA A SEMANA SANTA E A PÁSCOA

 

Aos Sacerdotes, religiosos e religiosas,  lideranças pastorais e povo de Deus.

 

Caríssimos filhos, diante da delicada e preocupante situação sanitária que coloca em risco a vida de cada um de nós e seguindo as orientações do Ministério da Saúde que ordena o “isolamento social” durante esse período de Quarentena e estando às portas de Celebrarmos como Igreja o núcleo de nossa fé cristã, que é a Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo, com o coração de pastor ferido uno-me ao que prudentemente nos orienta a Santa Mãe Igreja e comunico que continuaremos de Quarentena e em “isolamento social” por tempo indeterminado até nova ordem ou orientação diocesana, conforme fora comunicado a todos pelo nosso decreto emitido em 17 de março1 e pelo comunicado do dia 23 de março2.

O Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, com Decreto no 153/20, de 19 de março passado, a pedido do Papa Francisco, em comunicado oficial, deu instruções para a Igreja inteira sobre as celebrações da Páscoa “neste tempo difícil que estamos vivendo”. A CNBB disponibilizou a tradução do presente Decreto em sua página oficial para que tenham acesso de seu conteúdo integral todos que queiram está informado sobre as orientações da Igreja3.

As celebrações do Domingo de Ramos, da Semana Santa e da Páscoa que constitui o núcleo central de todo o nosso Ano Litúrgico parece à primeira vista não ter sentido celebrarmos sem a participação do Povo Fiel. Não obstante, diante das muitas limitações causada pela pandemia da COVID-19 (Coronavírus) para realizar essas celebrações com a participação do nosso povo, como seria desejável e normal, não podemos nos sentir intimidados de sermos Igreja e de buscar os meios mais adequados para que o nosso povo, mesmo em “isolamento social” como nos orienta o Ministério da Saúde, possa participar de nossas celebrações pascais, ainda que através das transmissões via redes sociais, do rádio e da TV. 

 

Portanto passo agora a apresentar, orientações específicas para as celebrações Pascais em nossa Diocese de Novo Hamburgo:

A celebração da Páscoa (o Tríduo Pascal inteiro, que inicia com a Missa “da Ceia do Senhor” na Quinta-Feira Santa) não se suprime nem se adia, mas deve ser feita nas condições possíveis e nos dias previstos. Aconselho os sacerdotes a transmitirem as celebrações aos paroquianos. Se houver a necessidade de alguns (poucos) ajudantes indispensáveis nas celebrações, cuidar que não sejam do “grupo de risco”. O povo deve ser orientado a assistir e participar em suas casas, na forma possível, das celebrações transmitidas pelas mídias sociais e pelos meios de comunicação. Nossa orientação é que de fato os fiéis sejam informados do horário de início das celebrações transmitidas, para que possam participar da oração em seus lares. As celebrações não devem ser retransmitidas posteriormente, como arquivos gravados, mas devem ser transmitidas sempre “ao vivo”. Recomendo divulgar as celebrações do Papa Francisco, transmitidas pelas TVs ligadas à Igreja, para que o povo possa assistir.

Domingo de Ramos (deverá ser usada a Terceira forma – entrada simples): os padres celebrem em privado, sem bênção, nem procissão de ramos. Após saudar o altar segue conforme rito próprio da Missa. Avisar o povo para ter em mãos ou na porta de suas casas algum ramo verde durante a celebração, sem que isso implique em “benzer os ramos”. Importa o sinal dos ramos verdes, e não a bênção, como tal. Não se omite a leitura da Paixão de Cristo. Sobre a Coleta da Solidariedade, gesto concreto da Campanha da Fraternidade e fruto da penitência quaresmal, acolhemos a sugestão da Presidência da CNBB de adiá-la para 14 e 15 de novembro, Dia Mundial dos Pobres.

Missa do Crisma e da renovação das promessas sacerdotais: Em vista do significado dessa celebração para todos os padres e para a comunhão eclesial na Diocese, ela será adiada para o dia 04 de agosto próximo, às 09h30, na Paróquia Imaculada Conceição em Igrejinha, aproveitando a já prevista “celebração do dia do padre” no calendário diocesano. Enquanto isso, o Santo Crisma e os óleos dos Catecúmenos e dos Enfermos da celebração de 2019 seguem sendo usados.

Missa “da Ceia do Senhor” e da instituição da Eucaristia, no início da noite da Quinta-Feira Santa (nunca antes do pôr do sol): Os padres celebrem em privado e transmitam ao povo de suas paróquias. Omitem-se o “Lava-Pés” e a adoração eucarística presencial. Mas recomendo a adoração e a oração do próprio padre diante da Eucaristia colocada no tabernáculo (não no ostensório), por algum tempo, depois da Missa. A adoração também seja transmitida, com o convite para que o povo da paróquia a acompanhe em suas casas. Esse momento pode ser muito rico e expressar a comunhão do povo da paróquia em torno de Jesus e com o padre, “vigiando com Ele”, como os apóstolos no Horto das Oliveiras.

Sexta-Feira Santa, pela manhã: É aconselhado que os padres façam a Via Sacra em privado na parte da manhã, com transmissão pelas mídias para que o povo possa acompanhar em suas casas. Recomendo muito divulgar também a celebração feita na Basílica de São Pedro (vazia), às 13h00 do Brasil (17h00 de Roma), com a presença do Papa e, provavelmente, com a pregação de Frei Raniero Cantalamessa, OFMCap. Pregador da Casa Pontifícia. Essa pregação sempre é muito marcante e não deixará de ser também neste ano. Lembrar o povo que este é um dia penitencial de jejum, abstinência de carnes e oração intensa

Sexta-Feira Santa, pela tarde: Os padres façam, às 15h00, a Celebração da Paixão do Senhor, como de costume, mas sem povo e apenas com os poucos assistentes indispensáveis, que não sejam do “grupo de risco”, evitando cantos, transmitindo a celebração para os paroquianos. Não se omita, de forma alguma, a leitura da Paixão de Cristo e uma breve pregação. Mas não se faz o “beijo da cruz”. O celebrante convide as pessoas a fazerem isso em suas casas, com um crucifixo da família. Omitem-se a Via

Sacra e a Procissão “do Senhor morto”, com a participação do povo. Sendo dia da Coleta para os Lugares Santos, esta será transferida, de acordo com a sugestão da Presidência da CNBB, para a semana do dia 14 de setembro, quando é celebrada a Festa da Exaltação da Santa Cruz.

Sábado Santo: Como prescreve a Liturgia, este é um dia de penitência, recolhimento e preparação para a celebração da Vigília Pascal. Durante o dia, podem ser feitas orações e reflexões, em privado, convidando o povo a acompanhar tudo pelas mídias em suas casas. Há muitas possibilidades que podem ser exploradas e a própria Liturgia das Horas oferece indicações.

No início da noite, mas nunca antes do pôr do sol, fazer a celebração da Vigília Pascal, em privado, e apenas com o mínimo indispensável de auxiliares de cerimônia, que não sejam do “grupo de risco”. Transmitir ao povo e convidar os paroquianos a acompanhar tudo pelas mídias. Omitir o acendimento do “fogo novo” e a

procissão com o círio pascal. Mas pode-se acender, de maneira simples, o círio pascal e fazer o “Anúncio da Páscoa” (Exsultet). Fazer, pelo menos, três leituras do Antigo Testamento, entre as quais deve estar a leitura do Êxodo (Êx 14,15-15,1), com os respectivos Salmos, antes do Glória. Omitir a bênção da água e a liturgia batismal. Mas fazer a renovação das Promessas do Batismo. Pedir ao povo que tenha em mãos velas acesas nesse momento. A liturgia eucarística segue normal, até o final.

Domingo da Páscoa na Ressurreição do Senhor: Fazer, ao menos, uma celebração transmitida ao povo da paróquia, em horário conveniente. Mas seria muito bom oferecer dois horários em cada paróquia, pois é o Domingo mais importante do Ano Litúrgico. Não deixar de fazer uma breve homilia.

Na Oitava da Páscoa: Buscar fazer igualmente as Missas em cada dia da Semana da Páscoa, com transmissão ao povo. Há muito para se redescobrir na Oitava da Páscoa! Aproveitemos essa “quarentena” para evangelizar um pouco mais e para fortalecer a fé e a esperança do povo, mantendo unida a paróquia, à espera de podermos todos ressurgir fortalecidos em tempos melhores, com a saúde e a fé robustecidas.

Algumas breves orientações quanto à Confissão e ao “dever de preceito”: Diversas foram as questões levantadas em relação ao Sacramento da Penitência mediante confissão individual, ou a absolvição coletiva. Estamos numa situação difícil e emergencial. Para situações emergenciais, soluções de emergência.

Sobre o “preceito dominical”: Vale o princípio geral, que a Igreja sempre ensinou: “ninguém pode ser obrigado a fazer o impossível”. Nas atuais circunstâncias de pandemia e de restrições impostas para não sair de casa, a fim de preservar a saúde e a vida, as pessoas estão impedidas de irem às igrejas. Portanto, nem é preciso, como fizemos no decreto anterior, que se decrete a “suspensão do preceito dominical”. Simplesmente, não é possível cumpri-lo. Quando isso for possível novamente, todos deverão dar graças a Deus no seu templo e frequentar as Missas e demais celebrações, com maior disposição e alegria. Enquanto isso, perseveremos em oração, acompanhando as celebrações pelos diversos meios disponíveis4 e vivamos a fé, unindo-nos à Igreja inteira, que crê, adora, louva, suplica, pede perdão, alegra-se no Senhor e espera, nas diversas horas do dia e em

 

cada comunidade do mundo inteiro, mesmo sem podermos fazê-lo de maneira fisicamente presencial.

Sobre o Sacramento da Penitência ou Confissão: Não sendo possível, nas atuais circunstâncias, procurar a confissão, nem atender ao povo em confissão, nem mesmo oferecer a “absolvição comunitária”, os padres exortem pelas redes sociais as pessoas ao exame de consciência, ao arrependimento sincero dos pecados, à renovação do propósito de busca de Deus e de vida santa. E que se confessem depois, na primeira ocasião que tiverem para isso.

Queridos filhos estejamos firmes em nossa Fé, na certeza que toda essa turbulência passará. Celebrar a Páscoa de Cristo é sempre uma oportunidade de nos lembra que a vida é mais forte que a morte, que abraçando a cruz do Senhor e perseverando na Fé no tempo de provação seremos Vitoriosos com Ele! Por isso permaneçamos firmes, unidos e solidários nesses tempos difíceis. Sirvamos o povo, que precisa muito de nossa presença, ainda que seja apenas a presença virtual e espiritual. Procuremos o contato com os enfermos e seus familiares, ou os responsáveis deles, mesmo sem sair de casa, mas mediante uma boa palavra, mensagem ou telefonema. E não nos esqueçamos dos pobres! Deus abençoe a todos!

 

                                                                                                         

Dom Zeno Hastenteufel

Bispo Diocesano

 

 

REGISTRO: LIVRO: 01 FOLHA:  137f PROTOCOLO: 04/2020

 

 

REFERÊNCIAS:

 

1. Cf. http://www.diocese.org.br/noticias/496/covid-19-orienta%C3%87%C3%95es-diocesanas

2. Cf. http://www.diocese.org.br/noticias/509/comunicado-dom-zeno

3. Cf. https://www.cnbb.org.br/novas-indicacoes-para-as-celebracoes-da-semana-santa/

4. Alguns exemplos: http://www.diocese.org.br/noticias/508/transmiss%C3%95es-online-de-missas