Diocese de Novo Hamburgo

A Natividade de Maria, a aurora da salvação

- Canção Nova

O Maria, o teu nascimento foi para todo o mundo a esperança e a aurora da salvação” (Oração depois da Comunhão).

No dia 8 de Setembro, celebremos com alegria a aurora da salvação, o nascimento da Santíssima Virgem Maria, da qual nasceu o Sol de justiça, Jesus Cristo, nosso Senhor. A Natividade de Nossa Senhora é o prelúdio do Natal do Menino Jesus porque, com a sua vinda ao mundo, começa a concretizar-se o projeto de Deus Pai para a Encarnação do Seu Filho divino. Na Virgem de Nazaré, o Altíssimo prepara aquela que será a Sua Mãe. A Virgem Imaculada prenuncia a chegada do Filho de Deus, que as antigas promessas de salvação da humanidade se converterão em história.

“O Maria, o teu nascimento foi para todo o mundo a esperança e a aurora da salvação” (Oração depois da Comunhão).

Bartolomé Esteban Murillo – Nacimiento de la Virgen.

A grandeza de Maria Santíssima se deve a esta verdade: ela é a criatura escolhida por Deus para ser a Mãe do Seu Filho Unigênito. Miqueias profetizou-a como “aquela que há de dar à luz” (Mq 5, 2) indicando o tempo do seu parto como o início de uma nova era: de “Belém-Efrata, tão pequena entre os clãs de Judá, é de ti que sairá para mim aquele que é chamado a governar Israel” (Mq 5, 1). Assim, em Belém, com o nascimento de Jesus Cristo, começará a era da salvação messiânica.

O glorioso nascimento da Santíssima Virgem

A Natividade de Maria é, pois, a aurora da redenção, pois o seu nascimento projeta uma luz nova sobre toda a humanidade: luz de inocência, de pureza, de graça precursora da grande luz que inundará a terra quando aparecer Jesus, “luz do mundo” (Jo 8, 12; 9, 5). A Virgem Maria, preservada da mancha do pecado original e cheia de graça em previsão dos merecimentos de Cristo, não só anuncia a redenção próxima, mas também leva em si mesma as suas primícias, como a primeira a ser redimida por seu divino Filho. A Imaculada Conceição de Maria é a primeira flor, nascida antecipadamente do mistério pascal, que alegra o mundo e atrai as complacências do Altíssimo.

Depois do nascimento de Jesus, nenhum outro nascimento foi tão importante aos olhos de Deus e tão precioso para o bem da humanidade como o de Nossa Senhora. Contudo, este nascimento passou despercebido pelos homens, ninguém o registou, nada dizem acerca dele as Sagradas Escrituras. A origem de Maria começou no silêncio e no silêncio ela permaneceu por toda a sua vida. A Natividade de Maria é um acontecimento grandioso, mas, paradoxalmente, envolto na mais profunda humildade. Quanto mais o homem quer crescer aos olhos de Deus, tanto menor e humilde deverá ser, escondendo-se aos Seus olhos e aos dos homens.

A vida escondida da Virgem Maria

A primeira vez que a Virgem Maria aparece no Evangelho de São Mateus é no final da genealogia de Jesus: “Jacó gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo” (Mt 1, 16). Em Lucas, a Nossa Senhora aparece, pela primeira vez, no relato da Anunciação do Senhor (cf. Lc 1, 26-38). Nos Evangelhos de Marcos e de João, ela só aparece mais tarde, durante o ministério público de seu Filho. Em todo o caso, Maria entra no Evangelho só em referência a Jesus, na sua qualidade de Mãe do Salvador e, ainda que percebamos a sua presença em muitas passagens, principalmente de Lucas, é tão discreta e cheia de humildade que desaparece na de seu Filho. A vida de Maria confunde-se e perde-se na de Jesus, pois ela viveu verdadeiramente “escondida com Cristo em Deus” (Col 3, 3). Ela viveu escondida, não apenas durante os anos da infância de Jesus, mas também nos dias da sua maternidade divina, nos momentos de triunfo de seu Filho e até quando uma mulher, entusiasmada pela pregação de Jesus, elevou a voz no meio da multidão, dizendo: “Bem-aventurado o ventre que te trouxe, e os peitos que te amamentaram” (Lc 11, 27).

A festa mariana da Natividade, celebrada pela Liturgia, é um convite à vida escondida com Maria, com Cristo e em Cristo. Felizes os fiéis que o próprio Deus, através das circunstâncias, leva por um caminho de humildade e de simplicidade, sem nada daquilo que costuma brilhar aos olhos dos homens! Esses só têm que conformar-se com o projeto divino para entrarem no grupo dos pobres de espírito, aos quais foi prometido o Reino dos Céus (cf. Lc 6, 20); mas também àqueles que estão comprometidos em responsabilidades especiais e em cargos na sociedade ou na Igreja, chamados, de modo particular, a imitarem a atitude de Maria. “Têm que aprender dela a agir sempre em serviço dos irmãos, sem espalhafatos, sem fazer valer a sua própria pessoa nem exigir privilégios, procurando antes eclipsar-se principalmente quando a própria atividade já não é necessária”. Quem aspirar a imitar a Virgem Maria tem que procurar esconder-se à sombra de Deus, convicto de que, se lhe for concedido fazer algum bem, isso é dom de Deus que se deve orientar para o bem comum e para a glória do Altíssimo.

Oração a Nossa Senhora da Natividade

Que nobre, grande e glorioso foi o teu nascimento, ó Bem-aventurada Virgem Maria! Que abundância de graças derrama, nesse dia, sobre a tua cabeça, Deus Pai!… Vejo o Verbo eterno vir Ele mesmo consagrar o Seu tabernáculo e enriquecê-lo com tesouros celestes, com uma generosidade sem limites, porque quer, ó ditosa menina, aurora da nossa redenção, quer que nasças, digna d’Ele e sintas o dom imenso de ter um Filho, que, ao mesmo tempo que Filho, é autor do teu nascimento. Que Inteligência não se sentirá perdida na contemplação de tais prodígios? Não digo palavra, mas nem sequer entendimento poderá elevar-se tanto que chegue a igualar a honra e a majestade da Mãe de Deus?…

Assim, pois, a noite passou e aproxima-se o dia, esse dia venturoso e glorioso, há tantos séculos prometido i pobre natureza humana!… Já começa a brilhar o dia de Jesus e nós saboreamos já a sua luz benéfica; já brilha a sua luz sobre ti, ó Maria, quando nasces, pois nasces isenta de pecado e cheia de graça. Tu és manancial abundante de caridade para com os pecadores, isto é, para com os homens, porque todos somos pecadores (J. B. Bossuet, Nascimento da Virgem).

Ó Maria, tu és a criatura que conheceu o dom de Deus e nada dele desperdiçou, tão pura, tão luminosa que parecias a própria luz. “Speculum iustitiae”; a tua vida foi tão simples, tão absorta em Deus que pouco se pode dizer dela. “Virgo fidelis”: és a Virgem fiel, “a que conservavas todas as coisas no teu coração”. Sentias-te tão humilde e permanecias tão recolhida diante de Deus, no santuário tua alma, que atraíste as complacências da Santíssima Trindade. “Porque pôs os olhos na humildade da Sua escrava, por isso me chamarão bem-aventurada todas as gerações” (Lc 1, 48).

O Pai, ao contemplar-te tão bela, tão ignorante da sua formosura, determinou que fosses, no tempo, a Mãe d’Aquele de quem Ele é o Pai na eternidade. Então, veio sobre ti o Espírito de amor que preside todas as operações divinas; e tu, ó Virgem, pronunciaste teu “Fiat”: “Eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38). E realizou-se o maior de todos os mistérios. Pela Encarnação do Verbo, foste, para sempre, posse de Deus (S. Isabel da Trindade, I Retiro, 10, 1).