Leonardo Meira / Da Redação, com Catholic News Service e InfoCatólica (tradução de CN Notícias)

 

          O mestre de cerimônias do Papa, monsenhor Guido Marini, indica que é preciso uma nova reforma litúrgica, que se alinhe com a tradição da Igreja e respeite as sugestões do Concílio Vaticano II.

         O pedido da "reforma da reforma litúrgica" foi expresso em uma palestra que Marini proferiu no último dia 6, organizada pela Confraria do Clero Católico da Austrália e dos Estados Unidos.

         O sacerdote explicou que esta reforma deveria representar um passo a frente na compreensão do verdadeiro espírito da liturgia.

         O responsável pela liturgia no Vaticano assegurou que a renovação da liturgia deveria refletir "a ininterrupta tradição da Igreja", incorporando as sugestões do Concílio Vaticano II no seio dessa tradição. As reformas conciliares, insistiu, devem ser entendidas no contexto de continuidade com as tradições de séculos anteriores.

         "A única disposição que nos permite manter o verdadeiro espírito da liturgia é considerar tanto a liturgia atual quanto a passada como um único patrimônio em constante desenvolvimento", assegurou.

         Marini lamentou que a necessidade de renovação seja evidente, especialmente devido à extensão mundial dos abusos litúrgicos. "Não é difícil perceber o quanto alguns comportamentos estão distantes do verdadeiro espírito litúrgico", disse o sacerdote, acrescentando que "nós, os sacerdotes, somos os principais responsáveis por isso."

         Citando as obras do então cardeal Ratzinger, antes de sua eleição como Bento XVI, o liturgista italiano enfatizou que a forma da liturgia é estabelecida pela Igreja e não pode ser alterada arbitrariamente por qualquer padre.

         Nesse sentido, Marini condenou o "comportamento despótico" dos sacerdotes que fogem às regras litúrgicas e enfatizou que a liturgia "não está disponível para que façamos uma interpretação pessoal dela".

         "Que loucura é, efetivamente, que reclamemos para nós o direito de mudar, subjetivamente, os sinais sagrados que o tempo foi moldando, através dos quais a Igreja fala de si mesma, de sua identidade e de sua fé!", exclamou.


         Voltados para Deus

         O liturgista vaticano também defendeu a celebração tradicional "ad orientem" (ou versus populum, de frente para o povo), que tem suas raízes nas origens do cristianismo.

         "Em nosso tempo, o conceito de 'celebrar de frente para o povo' entrou no nosso vocabulário comum. Se a intenção de usar essa frase é para descrever a localização do padre, que hoje se encontra de frente para a comunidade devido à posição do altar, isso é aceitável. Mas seria absolutamente inaceitável no momento em que fosse utilizada como uma proposição teológica. Teologicamente falando, a Santa Missa, de fato, é sempre dirigida a Deus através de Cristo, nosso Senhor, e seria um grave erro imaginar que a orientação principal do ato de sacrifício é a comunidade".

         Monsenhor Marini explicou que cada um dos aspectos da liturgia deve estar destinado a promover a adoração. O clérigo assinalou que o Papa Bento XVI iniciou a prática de dar a comunhão aos fiéis na língua enquanto estão ajoelhados, que é um "sinal visível de uma atitude apropriada de adoração diante da grandeza do mistério da presença eucarística do nosso Senhor.

         Ao mesmo tempo em que animou de coração a uma participação de todos na liturgia, Marini também disse que ela "não seria realmente uma participação ativa se não conduzisse à adoração do mistério da salvação em Jesus Cristo, que morreu e ressuscitou por nós".