Diocese de Novo Hamburgo

Sacramentos e Sacramentais

Pe. Inácio José Schuster, Vigário Judicial

BATISMO (Do grego, baptizein, submergir). "É a porta dos Sacramentos, cuja recepção de fato ou ao menos de desejo é necessária para a salvação, pela qual os homens são libertados dos pecados, regenerados como filhos de Deus e incorporados à Igreja, ficando configurados com Cristo pelo caráter indelével; se confere válidamente mediante a ablução com água natural acompanhada da devida forma verbal" (c. 849).

BATISMO DE DESEJO. Suplência do batismo sacramental na pessoa que o deseja sinceramente, mas que por razões alheias a sua vontade não pode recebê-lo ainda. 

 

CARÁTER (Do grego kharakter, sinal gravado, impresso). Elemento espiritual indelével conferido com os Sacramentos do Batismo, da Confirmação e da Ordem (c. 845). O principal efeito jurídico é que não se pode receber ditos Sacramentos uma segunda vez.

 

CATECUMENADO. Tempo de preparação prévio à recepção do Batismo, por parte do adulto que voluntariamente pede receber dito Sacramento.

CATECÚMENO (Do grego katekhoumenos, de katekho, instrução, início). Adulto que movido pelo Espírito Santo pede com vontade explícita ser incorporado à Igreja.

 

COMMUNICATIO IN SACRIS. Instituto jurídico mediante o qual, em caso de necessidade, os fiéis católicos podem receber os Sacramentos da Penitência, Eucaristia e Unção dos enfermos dos ministros acatólicos (orientais), em cuja Igreja sejam válidos esses Sacramentos. Esta instituição jurídica também permite que membros das igrejas orientais que não estejam em plena comunhão com a Igreja católica, havendo real necessidade, possam receber os sacramentos mencionados de ministros católicos. Por extensão, os outros acatólicos (protestantes) também podem receber os mesmos Sacramentos (Penitência, Eucaristia e Unção dos enfermos) dos ministros católicos. Mas somente se tiver as seguintes condições: 1. Perigo de morte ou outra grave necessidade, que deve julgar o Bispo diocesano ou a Conferência Episcopal; 2. seja impossível recorrer a seus ministros; 3. peçam espontaneamente; 4. manifestem a fé católica sobre tais Sacramentos; e 5. estejam bem dispostos.

 

CONSAGRAÇÃO. Rito que constitui sagrada uma coisa ou uma pessoa. Há vários tipos de consagração: 1.Eucarística. Sacramento. 2. Episcopal. Também sacramento; melhor "ordenação episcopal". 3. Dos óleos. Sacramental (c. 847 § 1). 4. Das virgens. Sacramental (c. 604 § 1). 5. De igrejas e altares. Sacramental; melhor falar de "dedicação".

 

ECUMENISMO. Movimento que tende a promover a unidade de fé e de comunhão entre as comunidades cristãs divididas.

 

FORMA DOS SACRAMENTOS1. Batismo: A que se encontra nos Livros Litúrgicos aprovados (c. 850). 2. Confirmação: A prescrita pelos Livros Litúrgicos aprovados (c. 880 § 1). 3. Eucaristia: As palavras da consagração que se encontram no Missal Romano. 4. Penitência: A absolvição (c. 959). 5. Unção dos enfermos: A prescrita nos Livros Litúrgicos (c. 1000 § 1). 6. Ordem sagrada: A oração consecratória que os Livros Litúrgicos prescrevem para cada grau (c. 1009 § 2). 7. Matrimônio: A fórmula do consentimento expressa pelos noivos.

 

IGREJA CATÓLICA. Realidade na qual subsiste a Igreja de Cristo (cf. c. 204 § 2). Para que possa falar-se de Igreja católica devem dar-se os seguintes elementos essenciais: 1. O Batismo que constitui aos fiéis e ao povo de Deus (c. 204 § 1); 2. uma diferenciação orgânica dos fiéis pelos diversos dons hierárquicos e carismáticos, dados todos eles pelo mesmo Espírito (Cc. 204 § 1 e 208); 3. a aceitação de todo o ordenamento da Igreja visível e de todos os meios de salvação instituídos neles, entre os quais destacam a proclamação do evangelho e a celebração da Eucaristia (c. 897);4. a união com Cristo na Igreja visível, nos vínculos da Profissão da Fé, dos Sacramentos, do governo e da comunhão eclesiais; 5. o Magistério do Sumo Pontífice e dos Bispos (c. 204 § 2).

 

LEIGO (Do grego laos, povo). 1. Fiel cristão que tem certo compromisso, de tipo voluntário e vivencial com a Igreja (c. 224). 2. Respeito à potestade de magistério: a) Podem pregar; mas não ter a seu cargo a homilia. Em outras palavras, podem pregar durante a missa, não quando se tem a homilia, a qual lhe corresponde aos clérigos; ou quando há uma paraliturgia sim poden pregar (c. 766). b) Podem ensinar em universidades, faculdades ou institutos de ensino religioso (c. 218). c) Podem publicar livros ou otros escritos (c. 218). 3. Respeito à potestade de santificação: Põem sacramentos e/ou sacramentais. Primeiro, vejamos o referente aos sacramentos: a) Batismo. Sempre e quando seja designado para este ofício pelo ordinário (c. 861 § 2). E estes não são casos de emergência. Logicamente que em caso de emergência pode batizar qualquer pessoa movida pela intenção de fazer o que faz a Igreja (c. 861 § 2). b)Eucaristia. Podem ser ministros extraordinários da comunhão (ou seja: podem distribuir a comunhão; inclusive podem autocomungar-se) (c. 910). Podem comungar duas vezes ao dia, se tem mais de uma celebração da Palavra com distribuição da comunhão no mesmo dia (c. 917). Podem, também, expor o Santíssimo Sacramento, mas não dar a bênção com a custódia ao final da exposição (c. 943). c) Confirmação. Não. Em nenhum caso. d) Penitência. Não. Em nenhum caso. e) Unção dos Enfermos. Não. Em nenhum caso. f) Ordem Sagrada. Não. Em nenhum caso. g)Matrimônio. Aparte de poder contrair matrimônio (se é solteiro/a, em cujo caso noivo e noiva são ministros do Sacramento assim como a matéria do mesmo) podem ser assistentes do Sacramento (c. 1057 § 1 e § 2). Se tudo está preparado para a celebração do Matrimônio e se tem a certeza que não haverá presença de um sacerdote por espaço de um mês a partir do momento em que se produz esta situação, podem dois leigos ser testemunhas do sacramento. Depois, devem comunicar ao pároco para a respectiva anotação (c. 1116 § 1, 2º). Também pode o Ordinário designar leigos para que sejam assistentes do Matrimônio de maneira estável. Mas se requer o voto favorável da Conferência Episcopal e a licença da Santa Sé (c. 1112 § 1). Em segundo lugar, podem por alguns sacramentais: a) Abençoar água (se o Ordinário permitir, c. 1168). b) Celebrar funerais (rezar responsos c. 1168). c) Realizar celebrações da Palavra (c. 1168). Podem ser destinados ao serviço de leitorado e acolitado (serviços litúrgicos) de maneira permanente, por decreto da Conferência Episcopal (c. 230 § 1). Podem ser encarregados de paróquias (c. 517 § 2).

 

MATÉRIA DOS SACRAMENTOS. 1. Batismo: Água natural, abençoada previamente (Cc. 849 e 853) na celebração ordinária. Na celebração extraordinária é suficiente a água. Por ablução, infusão ou imersão. 2. ConfirmaçãoRemota, o crisma consagrado pelo Bispo. É azeite de oliva misturado com bálsamo (substância líquida e aromática que se desprende de algumas árvores). Próxima, a unção com o crisma na fronte a modo de cruz que se faz com a imposição de mãos do Bispo (c. 880). 3. Eucaristia: Pão (ázimo) e vinho, ao qual se lhe deve misturar um pouco de água (c. 924; cf. c. 927). 4. PenitênciaRemota, o penitente. Próxima, os pecados. 5. Unção dos enfermos: Óleo dos enfermos, o que é abençoado pelo Bispo ou outros sacerdotes (c. 999). 6. Ordem sagrada: Imposição das mãos (c. 1009 § 2). 7. Matrimônio: Os noivos.

 

MINISTROS DOS SACRAMENTOS. 1. Batismoa) Ministro ordinário: Bispo, presbítero, diácono. b) Ministroextraordinário: Catequista ou outro fiel designado pelo ordinário do lugar; ou qualquer pessoa que tenha a devida intenção de fazer o que faz a Igreja (c. 861 § 2). O que batiza a um adulto, em razão de seu ofício tem ipso iure a faculdade de confirmar (c. 883 § 2). 2. Confirmaçãoa) Ministro ordinário: Bispo. b) Ministro extraordinário: O Prelado Territorial, o Abade Territorial, o Vigário, Prefeito e Administrador Apostólicos (estes últimos de Administrações Apostólicas erigidas de maneira estável). O presbítero que recebe a faculdade do mesmo direito (c. 882): Os que por seu ofício ou por encargo do Bispo diocesano batizam a um maior de sete anos, ou o admitem já batizado à plena comunhão na Igreja Católica (c. 883 § 2). Para os que estão em perigo de morte, o Pároco ou qualquer outro presbítero (c. 883 § 3). O presbítero por especial concessão da competente autoridade (c. 884 § 1). Os presbíteros associados (c. 884 § 2). 3. Eucaristiaa) Ministro: "Só o sacerdote validamente ordenado é ministro capaz de confeccionar o Sacramento da Eucaristia, atuando na pessoa de Cristo" (c. 900 § 1). b) Ministro ordinário da Sagrada Comunhão: Bispo, presbítero, diácono. c) Ministro extraordinário da Sagrada Comunhão: Acólito ou outro fiel designado para isso (cf. c. 230). 4. PenitênciaMinistro: "Só o sacerdote é ministro do Sacramento da Penitência" (c. 965). 5. Unção dos enfermosMinistro: "Todo sacerdote, e só ele, administra validamente a Unção dos Enfermos" (c. 1003 § 1). 6. Ordem sagradaMinistro: Bispo consagrado (c. 1012). Para a licitude da Ordenação Episcopal se requer o Mandato Pontifício.7. Matrimônioa) Ministro ordinário: Ordinário do lugar, pároco, sacerdote ou diácono delegados para assistir. b)Ministro extraordinário: Duas testemunhas se: - há perigo de morte (c. 1116 § 1, 1º); - fora de perigo de morte, com tal que se preveja prudentemente que essa situação vai prolongar-se durante um mês (c. 1116 § 1, 2º). "Onde não há sacerdotes nem diáconos, o Bispo diocesano, prévio voto favorável da Conferência Episcopal e obtida licença da Santa Sé, pode delegar a leigos para que assistam aos matrimônios" (c. 1112 § 1).

 

SACRAMENTAL. Sinal sagrado, pelo qual, a imitação em certo modo dos sacramentos, se significam e se obtém por intercessão da Igreja uns efeitos principalmente espirituais (cf. c. 1166). "É ministro dos sacramentais o clérigo provisto da devida potestade; mas, segundo o estabelecido nos livros litúrgicos e a juízo do Ordinário, alguns sacramentais podem ser administrados também por leigos que possuam as devidas qualidades" (c. 1168). São sacramentais: abençoar a água, realizar um responso, presidir uma procissão, etc.

 

SACRAMENTO (Do latim, sacramentum, sinal). Sinal sensível da graça de Deus. Podemos agrupá-los da seguinte maneira: 1. Sacramentos da iniciação cristã: Batismo, Confirmação e Eucaristia. 2. Sacramentos da comunidade cristã e do serviço: Matrimônio e Ordem. 3. Sacramentos de cura: Penitência e Unção dos Enfermos.

 

SACRILÉGIO (Do latim sacrum, sagrado, e lego, pegar, atirar, roubar). Ação que consiste em violar e/ou profanar o caráter sagrado de uma coisa, de um lugar ou de uma pessoa, tratando-os como coisas, lugares ou pessoas profanos e/ou vulgares.