Diocese de Novo Hamburgo

O domingo da alegria | A Voz da Diocese 676

Dom Zeno Hastenteufel

O quarto domingo da quaresma tem um apelido. Chama-se o “domingo da alegria”. A liturgia nos coloca diante de diferentes cenários de alegria.

Assim, na primeira leitura, nós encontramos o profeta Samuel na casa de Jessé, pronto para escolher e ungir o novo rei de Israel. Fica muito claro que Deus não olha para a aparên-cia, nem segue a lógica humana, escolhe aquele parecia não estar na lista. Era o mais jovem dos filhos de Jessé, aquele que apascentava os rebanhos. Este jovem era Davi, foi escolhido por Deus, e foi ungido o novo rei de Israel. E o importante é a última frase que diz: “Samuel tomou o chifre com óleo e ungiu a Davi na presença de seus irmãos. E a partir daquele dia o Espírito do Senhor se apoderou de Davi” (1Sam 16,13). É importante observar que Deus escolhe os seus colaboradores mais diretos. Ele não escolhe os mais capazes, mas Ele capaci-ta os seus escolhidos.

Já o evangelho deste quarto domingo da quaresma nos apresenta o cego de nascença que a princípio era motivo de discussão, pois, no contexto em que Jesus vivia, uma séria de-ficiência física era sempre atribuída ao pecado. Tratava-se de saber quem pecou: ele ou os pais dele? Jesus dá a resposta: “Nem ele nem os seus pais pecaram, mas isso serve para que as obras de Deus se manifestem... fez lama com a saliva e colocou-a sobre os olhos do cego e disse-lhe: Vai lavar-te na piscina de Siloé. O cego foi, lavou-se e voltou enxergando” (Jo 9,3.7).

O deficiente visual tornou-se testemunha do poder de Deus, que saía de Jesus, que ele ainda não conhecia. E, ao ser revelado o Filho de Deus, ele diz com toda a convicção: “Eu creio Senhor! E prostrou-se diante dele” (Jo 9,38).

Porém, aqueles que já tramavam a morte do Senhor viram em tudo isto mais um moti-vo de condenação. Expulsam o pobre homem da comunidade só porque foi curado e porque afirmava a sua fé no poder de Deus. No mundo atual, cenas semelhantes ainda se repetem: o que é motivo de alegria para uns é causa de ódio e rancor para outros. Quando uma pessoa recebe graças especiais de Deus, há os que ficam com inveja, reagem e até se tornam inimi-gos