Diocese de Novo Hamburgo

Família real e família fictícia | A Voz da Diocese 657

Dom Zeno Hastenteufel

A liturgia deste 32º domingo do tempo comum nos apresenta na primeira leitura uma família muito especial, formada por uma mãe e sete filhos. Faziam parte do povo de Israel e estavam vivendo no judaísmo, seguindo rigorosamente as leis de Moisés. Seguindo estas leis, não deveriam comer carne de porco.
Esta mãe, com os sete filhos, foi levada ao tribunal e lá, um após outro, todos os filhos foram torturados e cruelmente assassinados, um após outro. Todos eles deram o mesmo testemunho e foram animados pela mãe, que os exortava um a um, na língua materna. Por fim, depois de todos os filhos, foi morta também a mãe. Todos foram considerados dignos ao mesmo suplício, podendo assim testemunhar a própria fé e as convicções que lhes tinham sido ensinados desde a infância.
Já no evangelho deste domingo um grupo de fariseus, não querendo aceitar a ressurreição, apresenta, em forma de objeção, o caso de uma família fictícia que, naturalmente não existiu, mas a apresentam com uma pergunta: “Havia sete irmãos. O primeiro casou e morreu sem deixar filhos. Também o segundo e o terceiro se casam com a mulher. E assim, os sete todos se casaram com a mulher, todos morreram sem deixar filhos.
Por fim, morreu a mulher. Na ressurreição de quem ela será esposa, pois os sete tinham se casado com ela?” (Lc 20,29-33). Claro que se trata de um caso fictício...
Jesus responde com toda a paciência, dizendo simplesmente: “Neste mundo, homens e mulheres casam-se, mas os que forem julgados dignos de participar do mundo futuro e da ressurreição dos mortos não se casam, serão igual aos anjos e serão filhos de Deus, porque ressuscitaram” (Lc 20,35-36). Não haverá mais casamento, nem carne mortal. Todos serão como anjos de Deus. Toda a realidade humana, de vida matrimonial, não existe mais.
Por isso, será muito importante prestar bem a atenção ao que nos diz São Paulo na segunda leitura deste domingo: “Quanto ao mais, irmãos, orai por nós, para que a palavra do Senhor se espalhe rapidamente e seja glorificada como é entre vós. Orai também parque fiquemos livres das pessoas importunas e más, pois nem todos tem fé. Mas o Senhor é fiel, ele vos confirmará e vos guardará do maligno” (2Tess 3,1-3).