No quarto domingo de agosto, a Igreja nos apresenta uma reflexão especial sobre a vocação específica do leigo. Leigo é aquele cristão, batizado, consciente da sua vida de fé, que procura testemunhar esta sua fé, no meio de nosso mundo, nas mais variadas circunstâncias da economia, da política, da cultura, da arte e das mais variadas profissões. 
Como pano de fundo, a liturgia deste domingo nos apresenta a famosa Assembleia de Siquém, quando o jovem líder do povo, substituto de Moisés, chamado Josué, se reuniu com os anciãos, os chefes, os juízes e os magistrados, que se apresentaram diante de Deus. Então Josué falou: “Se vos parece mal servir ao Senhor, escolhei hoje a quem vós quereis servir: se aos deuses a quem os vossos pais serviram na Mesopotâmia ou aos deuses dos amorreus, que habitavam antigamente nestas terras. Quanto à mim e à minha família, nós serviremos ao Senhor”(Jos 24,15). 
De vez em quando nós precisamos ser desafiados e refazer as nossas opções mais profundas, inclusive no tema da fé. Aqueles homens famosos, convocados por Josué, jamais poderiam esperar um desafio destes, ainda mais colocado pelo jovem, que estava assumindo o lugar de Moisés. Mas é claro que todos afirmam a sua fé e assumem com novo entusiasmo, dizendo: “Longe de nós abandonarmos o Senhor, para servir aos deuses estrangeiros. Porque o Senhor, nosso Deus, ele mesmo é que nos tirou do Egito, da casa da escravidão. Foi ele quem realizou esses grandes prodígios diante de nossos olhos e nos guardou nos caminhos por onde peregrinamos. Portanto, também serviremos ao Senhor porque Ele é o nosso Deus”(Jos 24,17-18). 
O próprio Jesus também desafia os seus apóstolos, na última cena do discurso do pão vivo. Quando se viu que, diante da seriedade das palavras de Jesus, muitos discípulos foram para casa, dizendo que era muito exigente Jesus olhou para os doze e disse: “Vós também vos quereis ir embora”? Então Simão Pedro respondeu: “A quem iremos nós, Senhor, só tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente que tu és o santo de Deus”(Jo 6,67-69). Esta frase ainda repercute hoje. Quando alguém se retira de Jesus Cristo, o que vai procurar? – Quem é que ele coloca em seu lugar?