A liturgia deste final de semana nos apresenta este homem que vem de Baal-Salisa, trazendo pães dos primeiros frutos da terra. Eram vinte pães de cevada e trigo novo. Trouxe os pães e os entregou ao profeta Eliseu, como sinal de gratidão pelas boas colheitas. 
O profeta mandou distribuir estes pães entre o povo e todos comeram e ainda sobrou conforme a palavra de Deus. Este episódio foi tirado do Livro dos Reis, no Antigo Testamento. Este era o verdadeiro sentido do dízimo, a oferta dos primeiros frutos da terra. Eram para o Senhor, em retribuição pelos seus dons.
Esta era a prática usual em todo o Antigo Testamento: os primeiros frutos, em uma nova colheita, eram levados ao templo, em forma de dízimo. Era uma parte que pertencia ao Senhor e que assim estava sendo devolvido. 
Hoje ainda, em paróquia onde há uma boa compreensão do dízimo, faz-se o domingo da oferta do dízimo, bem no começo do mês, para que, ao receber os salários, pensões, aluguéis, se possa logo devolver a parte que cabe ao Senhor, Ele que nos dá tudo o que temos e ganhamos. 
Já o Evangelho nos coloca diante da pergunta: onde vamos comprar pão para toda esta gente que está caminhando conosco. Os apóstolos tentaram soluções, apresentam sugestões, mas por fim, Jesus sabe o que fazer. Com o pouco que cada um trouxe, aconteceu o milagre da multiplicação. Todos comeram com fartura e sobraram doze cestos de pedaços.
Vendo o sinal que Jesus tinha realizado, aqueles homens exclamaram: “Verdadeiramente este é o profeta, aquele que deve vir ao mundo”(Jo, 6,14). O milagre só foi possível com a participação da comunidade, quando colocaram à disposição do Senhor Jesus aqueles dons que eles tinham trazido de casa. 
É a partir desta lição, que São Paulo nos exorta: “Aplicai-vos a guardar a unidade do espírito pelo vínculo da paz. Há um só corpo e um só Espírito, como também é uma só a esperança à qual fostes chamados. Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos, que reina sobre todos, age por meio de todos e permanece em todos” (Ef 4, 3-6).  Nos dias atuais somos nós este novo povo de Deus!