Nós estamos em plena quaresma e já no segundo domingo de nossa Campanha da Fraternidade que nos coloca diante do desafio de transfigurar o mundo da violência, que mata tantos jovens, especialmente negros e pobres.
A liturgia deste segundo domingo da quaresma começa com o grande teste feito em Abraão, que foi convidado a subir a um monte e ali oferecer o próprio filho em holocausto. Quando tudo estava pronto e Abraão provando a sua fidelidade a toda a prova, Deus interveio e nada aconteceu ao jovem Isaac. Abraão mostrou que ele é realmente o “pai da fé”, um homem de confiança total e fiel até o extremo.
Já o evangelho nos apresenta a cena da transfiguração do Senhor. É Jesus que sobe ao monte , acompanhado de Pedro, Tiago e João. Ali, naquele ambiente especial, ele se transfigura diante dos apóstolos. Trata-se de uma cena didática, onde Jesus, em vez de fazer um belo discurso sobre a sua real identidade, ele mostra a sua divindade, num cenário indescritível. Ele aparece em diálogo com Moisés e Elias, representantes da Lei e dos Profetas. Os apóstolos não entenderam nada, mas eles acharam maravilhoso este encontro. Embora todos estivessem com muito medo, Pedro tomou a palavra: “Senhor como é bom estarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias” (Mc 9,5). Então desceu uma nuvem e os encobriu com sua sombra. E da nuvem saiu uma voz que dizia: “Este é o meu Filho amado. Escutai o que ele diz!” (Mc 9,7).  
Não era ainda o momento de ficar contemplando a divindade do Salvador. Eles deveriam ainda escutar o que Ele diz. E, já na descida do monte, Jesus disse palavras muito fortes, ordenando que não contassem nada a ninguém de tudo o que tinham visto, até que o Filho do homem tivesse ressuscitado dos mortos. É claro que eles observaram esta ordem, mas comentavam entre si sobre o que significaria esta “ressurreição dos mortos”. Os pobres apóstolos não podiam ainda compreender esta linguagem. Mas, quando aconteceu a páscoa, tudo ficou claro. Eles experimentaram o ressuscitado!
Hoje, transfigurar o mundo seria superar a violência, trazer a paz para as nossas casas e colocar a alegria de viver nas famílias.