Desde a última quarta-feira, estamos na quaresma, isto é naqueles quarenta dias que nos preparam para páscoa. É um tempo de penitência e de conversão. E a Igreja do Brasil realiza nesta época a Campanha da Fraternidade. E, neste ano, a Igreja nos ajuda a refletir sobre “Fraternidade e superação da violência”, com o lema: “Em Cristo somos todos irmãos” (Mt 23,8). 
A primeira leitura deste domingo nos apresenta o texto do Gênesis em que Deus, depois do dilúvio, estabelece uma aliança, representada no arco-íris, para significar que Deus está disposto a nunca mais repetir um dilúvio para superar o pecado. Ele vem ao encontro para salvar e superar os pecados dos homens. Ali está a promessa de um Salvador que virá trazer o perdão dos pecados.
Já a carta de Pedro nos apresenta uma síntese de tudo o que estamos por celebrar nos próximos quarenta dias: “Cristo morreu uma vez por todas, por causa dos pecados, o justo pelos injustos, a fim de nos conduzir a Deus. Sofreu a morte, na sua existência humana, mas recebeu uma nova vida pelo Espírito” (1Pd 3,18). A quaresma vem para nos preparar para viver mais uma vez paixão, morte e ressurreição do Senhor. Ali está o centro de nossa fé e ali aconteceu a obra de nossa salvação.
O evangelho do primeiro domingo da quaresma, sempre de novo nos recorda os quarenta dias de deserto, em que Jesus se preparou para a sua vida pública. Foi por assim dizer o retiro de abertura de sua vida pública. Ali então ele foi tentado pelo demônio, apresentando precisamente as mesmas tentações que hoje ainda continuam arrastando ao mal e ao pecado.
Tudo começou com a tentação do prazer, em que o tentador manda transformar pedra em pão, em comida, em prazer de degustar. A segunda é a tentação do ter, em que demônio mostra os campos todos e promete dá-los a Jesus caso ele se prostre para adorá-lo. É a tentação de ter e ter sempre mais, que hoje ainda leva tanta gente à ruína. Finalmente é a tentação do poder: tu te atirarás desta torre e não vais te machucar. Todos te aplaudirão.  É bom desde logo buscarmos as respostas que o evangelho nos propõe.