Diocese de Novo Hamburgo

Catequese Batismal

- Jayme Pujoll e Jesus Sanches Biela

Introdução

 

Conta-se de São João Crisóstomo que “Arcádio, imperador de Constantinopla, instigado por sua esposa Eudóxia, quis castigar o santo. Cinco juízes propuseram diversos castigos: – Mandai-o ao desterro, disse um. – Tirai-lhe os bens, acrescentou o outro. – Colocai-o na cadeia cheio de correntes. – Tirai-lhe a vida. O último, por fim, disse ao imperador: – Se lhe mandais ao desterro estará contente, sabendo que em todas as partes tem a Deus; se o despojais de seus bens, não os tirais dele, mas sim dos pobres; se o trancais em um calabouço, beijará as correntes; se lhe condenais a morte, lhe abris as portas do céu... Fazei-lhe pecar: ele não tem maior medo que o pecado”.

Devemos ter o pecado como o maior mal, pois ele nos tira a graça que é o grande dom que Deus nos concede para alcançarmos a vida eterna. Com razão disse São Bernardo que “só de graça necessitamos”.

 

 

 

Idéias principais

 

 

1. Nascemos inclinados ao pecado

 

O homem nasce com o pecado original, privado da graça; e ainda que este pecado seja perdoado no batismo, permanece a inclinação desordenada da concupiscência. A vontade se encontra debilitada, e obscurecida a inteligência; o mundo busca seduzir-nos com seus bens enganosos, e o demônio nos tenta. A essas instigações que empurram ao mal – sejam elas de dentro ou de fora do homem – chamamos tentações.

 

 

2. Podemos resistir às tentações

 

Deus permite a tentação para provar-nos. O próprio Jesus Cristo quis ser tentado pelo demônio, no entanto Ele resistiu: “Afasta-te, Satanás...” (Mt 4, 10). Com a graça de Deus sempre podemos vencer a tentação. Quando chega, devemos orar e resistir: orar, seguindo o conselho dado por Jesus Cristo: “vigiai e orai para não cairdes em tentação” (Mt 26, 41), e resistir valentemente, fugindo da ocasião e de quem nos induz a pecar.

 

 

3. O consentimento gera o pecado

 

Muitas vezes não escutamos as advertências do Senhor e consentimos com o mal da tentação. Faltamos contra Deus – contra sua vontade – violamos intencional e voluntariamente a lei de Deus, pecamos e ofendemos a Ele.

Para cometermos pecado é necessário: a) que a coisa em si seja má (ou se acredite que seja má); b) saber que, se há consentimento, é uma ofensa a Deus porque vai contra sua vontade; c) consentir no mal – fazendo-o ou omitindo-se no que se deve fazer – mesmo sabendo que agimos mal e ofendemos a Deus tanto com o pensamento ou desejo (pecado somente interno), como com a palavra ou atitudes (pecado também externo).

 

 

4. O pecado mortal é uma grave ofensa a Deus

 

Quando se comete um pecado mortal se ofende gravemente a Deus porque Ele nos manifestou sua vontade sobre nós – a primeira condição do pecado mortal é que haja um mandamento ou preceito grave –, e o homem o despreze com plena liberdade. Ofende-se, pois, a Deus e gravemente, como grave é o preceito que se inflige. Mas o pecado se volta também contra o homem, que perde a vida de graça, deixa de ser filho de Deus e se faz réu do inferno. Por isso, deve-se sair o quanto antes do pecado mortal confessando-se em seguida; enquanto isso se deve fazer um ato de contrição ou de perfeita dor do pecado.

 

 

5. O pecado venial é uma ofensa leve a Deus

 

Às vezes, sem deixar de amar a Deus, o cristão se deixa arrastar pelas paixões em coisas que não violam de todo os mandamentos, ainda que desagradem a Deus; ou, se são violados os mandamentos, o são sem o suficiente conhecimento ou sem a perfeita voluntariedade. Neste caso o pecado é venial ou leve, porque não faz perder a graça e a amizade com Deus; porém debilita a vida sobrenatural e põe em perigo de chegar a cometer pecados graves. O pecado venial não nos faz réus do inferno, mas do purgatório. Por ser ofensa a Deus e pelos danos que acarreta, um mínimo de sentimento de responsabilidade induzirá a evitar com todo o empenho também o pecado venial. Deve-se ter horror do pecado venial deliberado!

 

6. Deus misericordioso perdoa o pecado

 

Nunca deve servir de pretexto para pecar, mas é de motivo de esperança e estímulo para a confissão saber que Deus misericordioso não abandona o homem, nem sequer quando lhe ofendemos, antes, “aguarda pacientemente” para perdoar-nos no sacramento da Penitência, “não querendo que ninguém se perca, mas que todos venham à penitência”, como ensina o Apóstolo São Pedro.

 

 

7. A graça, dom sobrenatural interno

 

Por causa do pecado original dos primeiros pais, todos nasceram privados da graça que Deus lhe havia concedido gratuitamente para eles e seus descendentes. A natureza humana ficou ferida; e com nossas forças não podemos cumprir por muito tempo nem sequer a lei natural. Mas, compadecido de nós e pelos méritos de Jesus Cristo, Deus concede e infunde na alma o dom maravilhoso da graça. Concede-a gratuitamente e sem que nós a mereçamos, para que possamos alcançar a vida eterna no céu.

 

 

8. Maravilhas da graça na alma

 

A graça é a participação da natureza divina. Acontece com a alma que recebe a graça de Deus algo semelhante ao que se sucede com o ferro ou o carvão em contato com o fogo: que fica incandescente e adquire as propriedades do fogo. A alma em graça é diante de Deus como um rubi; o pecado foi destruído, já não existe, e a alma adquire um brilho maravilhoso como o fogo puro e limpo, como o carvão perde sua negrura e se converte em brasa de ouro magnífica. Neste momento, a alma tem formosura divina, com o resplendor da graça e a força da vida sobrenatural.

 

9. Graça santificante, graça atual

 

Deus concede dois tipos de graça: a graça santificante ou habitual e a graça atual.

 

a) Graça santificante é a que nos faz justos ou santos, filhos adotivos de Deus e herdeiros do céu; torna-nos templos do Espírito Santo e Deus habita no centro de nossa alma. Recebe-se no batismo e é perdida com um pecado mortal; pode-se recuperar no sacramento da penitência. Estando na graça de Deus, tudo que se faz – grande ou pequeno, fácil ou custoso – tem mérito sobrenatural e ajuda na conquista do céu, se forem cumpridas nas demais condições: em vida, com liberdade, com obras boas, dirigidas a Deus e aceitadas por Ele; a aceitação nos consta e vai implícita no estado de graça.

 

b) Graça atual é a graça com a qual Deus ilumina o entendimento e move a vontade, como ajuda para fazer o bem – ainda que custe – e evitar o mal. O texto dos At 16, 13-15 (lê-lo) é um exemplo de graça atual que Deus concedeu a Lídia para converter-se à fé de Jesus Cristo. Outras graças atuais são o arrependimento depois de pecar, o propósito de ser melhor, etc.

 

 

10. Deus concede a todos a graça necessária para a salvação

 

Deus concede a todos a graça necessária para a salvação porque “quer que todos os homens se salvem” (1Tm 2, 4). Os que se condenam, o fazem porque não corresponderam às graças dadas por Deus.

O fato de Deus conceder mais graças a uns do que a outros depende do amor de Deus e, também, de nossa correspondência à graça. Deus nos concede mais graça se a pedimos, se recebemos os sacramentos e se nos deixamos levar por sua graça. É como em uma família onde os pais querem muitíssimo a seus filhos – que dariam por eles suas vidas –, mas os tratam de maneira diferente como convém para sua boa educação e como se portam ante as ordens e conselhos que lhes dão. Por isso é tão importante a correspondência a cada graça de Deus.

 

 

11. Meios para crescer na graça

 

O cristão pode aspirar unicamente a conservação da graça, mas deve também se esforçar por aumenta-la. O crescimento é um sinal de vitalidade, e também a graça – que é a vida sobrenatural – pode crescer. Mas temos que pôr os meios que a desenvolvem: a oração, os Sacramentos e as boas obras feitas por amor. Particularmente, ao receber os sacramentos podemos crescer na graça, porque neles começa, se desenvolvem, ou se recupera quando se tiver perdido, a graça de Cristo. Por isso, a vida do cristão deve ser, pela sua importância, vida de confissão e comunhão freqüente.

 

 

12. Um firme propósito: viver sempre na graça de Deus e aumenta-la

 

O que os homens têm de mais precioso na terra é a graça. Uma coisa é importante na vida: viver como filhos de Deus; e uma só coisa é terrível na vida: o pecado, ou seja, separar-se de Deus, morrer sem a sua graça e perder-se eternamente no inferno. Como dizia o clássico: “Ao final da jornada, aquele que se salva sabe, e aquele que não, não sabe nada”. Por isso temos que fazer o propósito de viver sempre na graça de Deus, e aumenta-la mais e mais. Se tivermos a desgraça de perdê-la por um pecado mortal, é preciso confessarmo-nos em seguida para voltar à graça de Deus (e, sempre fazer um ato de contrição).

 

 

Perguntas

 

 

  1. O que é o pecado e de que maneiras se pode cometê-lo?

  2. Como pode ser o pecado?

  3. O que é o pecado mortal?

  4. Por que se chama pecado mortal?

  5. O que é o pecado venial?

  6. Que males o pecado venial causa?

  7. Quais os tipos de graça?

  8. O que é a graça santificante?

  9. O que é a graça atual?

  10. Quais são os meios principais para alcançar a graça?

 

 

Propósitos para a vida cristã

 

 

  • Lutar esforçadamente contra o pecado e contra as tentações que levam a pecar.

  • Rezar todas as noites o ato de contrição, pedindo perdão pelos pecados.

  • Fazer o firme propósito de viver sempre na graça de Deus; por a vida do cristão deve ser um contínuo crescimento na graça.

  • Ao fazer um pecado mortal, fazer um ato de contrição e buscar o mais rápido possível o sacramento da confissão.

 

Autor: Jayme Pujoll e Jesus Sanches Biela

Fonte: Livro "Curso de Catequesis" do Editorial Palavra, España

Tradução: Pe. Inácio José Schuster