Diocese de Novo Hamburgo

Estamos em quaresma e Campanha da Fraternidade | A Voz da Diocese 622

Dom Zeno

Desde a última quarta-feira, nós estamos em quaresma e a Igreja do Brasil está realizando a sua 55ª. Campanha da Fraternidade. Começou a nossa preparação para a Páscoa do Senhor.

         Este ano, a Campanha da Fraternidade aborda o tema central das Políticas públicas com o lema: “Fraternidade e Políticas Públicas”. Está inspirado em: “Serás liberto pelo direito e pela justiça” (Am 5,24).

         A Igreja do Brasil, neste tempo de quaresma, nos coloca diante de um tema social, que preocupa uma grande parcela de nosso povo que precisa de nossa consideração e fraternidade, para poder viver dignamente. Ainda mais agora, que estamos com um governo novo, com gente nova que veio com tantas promessas, a Igreja se coloca ao lado dos mais pobres, para clamar em favor de políticas públicas que venham trazer uma vida mais digna para todos. 

         No Brasil existem milhares de pessoas que vivem em favelas e cortiços com instalações sanitárias improvisadas e esgoto a céu aberto. E há a população em situação de rua exposta a todos os tipos de precariedade.

         A moradia adequada é reconhecida como um direito universal pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, desde 1948. Vários tratados internacionais reafirmam que os estados têm a obrigação de promover e proteger este direito.

         O que escandaliza o mundo é o fato de que, na América Latina, as pessoas têm mais acesso aos celulares do que aos banheiros. Ao menos 120 milhões de latino-americanos ainda não têm acesso aos banheiros. Há neste ponto sérios problemas de políticas públicas. Isto não pode continuar assim. 

         Vejamos então o que nos diz a liturgia deste primeiro domingo da quaresma que apresenta as tentações de Jesus. Jesus é tentado a transformar pedra em pão ou banquete, a ter grandes fortunas e latifúndios e a poder dar espetáculo ou fazer milagres. Ele é tentado a ter sempre mais, a poder sempre mais e a gozar sempre mais.

Precisamente estas são as tentações que o nosso mundo consumista e hedonista nos apresenta diariamente, como forma de ser feliz e de conseguir se salientar sempre mais. Quem vive neste nível, não se preocupa com a vida dos pobres, indefesos e sem ambiente para viver. Então é preciso que entrem as políticas públicas!