Diocese de Novo Hamburgo

Amai os vossos inimigos - A Voz da Diocese 620

Dom Zeno

Depois que nós ouvimos no último domingo o evangelho das bem-aventuranças, conforme São Lucas, hoje nós continuamos tirando as consequências desta nova maneira de encarar a vida e a convivência com os irmãos.

         Certamente todos os seguidores de Jesus levaram um susto quando Jesus proferiu as palavras do evangelho deste domingo: “Amai os vossos inimigos e fazei o bem, aos que vos odeiam, bendizei aos que vos amaldiçoam e rezai por aqueles que vos caluniam” (Lc 6,27-28).

            Esta é uma linguagem totalmente nova para aquele que estava acostumado à lei do talião, “dente por dente e olho por olho”. Para nós que vivemos num mundo de competições e concorrências, em que todos querem sempre tirar proveito e progredir, nem que seja à custas do outro, já nos assustamos com esta linguagem bíblica.

         Mas, se olharmos bem, aqui Jesus está ampliando o discurso das bem-aventuranças: “Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso. Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados. Daí e vos será dado” (Lc 6, 36-37). Aparece aqui o rosto misericordioso do Pai, que se apresenta e quer um mundo diferente, em que haja a capacidade de perdoar e superar as divergências pelo novo caminho da misericórdia.

         De alguma forma, podemos dizer que esta ideia já estava presente no extraordinário gesto de Davi, que no deserto de Zif, teve a oportunidade de acabar com o seu inimigo que era Saul, encontrando-o no sono profundo e poderia ter sido morto, com um golpe de espada, mas Davi usou de misericórdia e disse a frase que marcou época: “Não o mates! Pois quem poderia estender a mão contra o ungido do Senhor e ficar impune?” (1 Sam 26,9). Naquele momento, ninguém entendeu este gesto de grandeza de Davi, tanto que ele teve que explicar-se muitas vezes.

         Mas, a partir da revelação de Jesus Cristo, o método da misericórdia e do perdão vai se implantando gradativamente. É sobre tudo isto que São Paulo reflete ao falar do homem celeste que ele revela neste domingo. Sem dúvida, no mundo em que vivemos, ainda há muito que fazer, para que nós passemos a viver de acordo com o Evangelho.