Diocese de Novo Hamburgo

O sermão da planície - A Voz da Diocese 619

Dom Zeno

No evangelho deste domingo, cai aos olhos que se trata das bem-aventuranças, mas o sermão não acontece no alto da montanha, como estamos acostumados a ver no mesmo texto, redigido por Mateus.

               No presente texto, o evangelista Lucas faz questão de mostrar que Jesus passou a noite em oração e depois desce da montanha, vai ao encontro do povo e, ali mesmo na planície, faz o seu importante discurso, verdadeira plataforma de toda a sua mensagem que está sendo anunciada. Ali estavam os seus discípulos e uma grande multidão de gente de toda a Judéia, de Jerusalém e do litoral de Tiro e de Sidônia.

               Outra diferença aparece no próprio conteúdo onde, em vez de serem as oito bem-aventuranças, como em Mateus, temos aqui apenas quatro bem-aventuranças e mais outros  quatro “ai de vós”, agora reservados para os ricos, para os que agora tem com fartura, para os que agora riem e para todos aqueles que são elogiados por todos. De qualquer forma, este discurso apresenta o tema central de toda a boa nova que Jesus estava trazendo para a terra.

               Da mesma forma, a segunda leitura, com o texto de 1 Cor 15, 16-20, Paulo apresenta o tema central de todo o Novo Testamento, a certeza do Cristo ressuscitado, garantia de vida eterna, argumento base para provar que existe a ressurreição dos mortos. Ele arremata dizendo: “Mas na realidade, Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram” (1 Cor 15,20).

               Este mesmo tema da centralidade de nossa fé, já está muito presente no Antigo Testamento, como vemos no texto de hoje, do profeta Jeremias: “Isto diz o Senhor: Maldito o homem que confia no homem e faz consistir a sua força na carne humana, enquanto o seu coração se afasta do Senhor... Bendito o homem que confia no Senhor, cuja esperança é o Senhor; é como a árvore plantada junto às águas, que estende as raízes em busca de umidade, por isso não teme a chegado do calor...”(Jer 17,5.8).

               Estas palavras importantes do profeta praticamente coincidem com o Salmo 1, neste domingo apresentado como salmo de meditação. Está sempre mais claro que o homem precisa definir claramente em quem ele deseja confiar. É preciso ter clareza e definir em quem nós confiamos!