Diocese de Novo Hamburgo

Jesus encontra dificuldades em sua terra - A Voz da Diocese 617

Dom Zeno

A liturgia deste próximo domingo nos apresenta o profeta Jeremias, com as palavras: “Antes de formar-te no seio de tua mãe, eu já te conhecia, antes de saíres do ventre, eu te consagrei e te fiz profeta para as nações” (Jr 1,4-5). Esta é a vocação do profeta: já foi preparado, desde antes do nascimento, já foi concebido com a finalidade de ser profeta. Será que não é este o modo normal de proceder de um criador? 

         Assim como o artesão planeja um produto, mas ao criá-lo, já tem uma finalidade específica, já sabe para o que servirá e onde deverá ser colocado, parece que Deus também age desta forma, ao criar uma pessoa humana, sabe diante mão para que finalidade e qual é a sua vocação. No Antigo Testamento nós percebemos isto na vocação dos profetas, que dizem: “Antes que fosse concebido”, o Senhor me chamou.

         Já a partir do Novo Testamento, a vocação fundamental do cristão é seguir Jesus Cristo vivo e ressuscitado, com o amor que Ele veio pregar. A carta aos Coríntios nos orienta, mostrando claramente que o centro de tudo é a caridade. O fundamento de toda a vida cristã está colocado na disposição de fazer tudo mesmo por amor, por um grande amor que está acima de tudo. Aliás, sem este amor, nada tem sentido. 

O evangelho deste domingo nos apresenta Jesus iniciando a pregação, em sua terra natal, onde ele era conhecido e onde tinha vivido toda a sua juventude. O povo achava que ele era o filho do carpinteiro e que ele nunca tinha viajado para estudar, por isso perguntam: ”Não é este o filho do carpinteiro?”

         - Aparentemente era um homem, como os demais, filho do carpinteiro e da dona de casa, Maria, conhecida de todos. Ninguém conhecia os segredos que estavam dentro daquele homem extraordinário que, na noite de natal, foi anunciado aos pastores como o Salvador que vos foi dado.

         - Na verdade, ali estava o verdadeiro Filho de Deus, concebido dentro de Maria, mas através de uma intervenção direta de Deus, para que ele pudesse ser Deus e homem, em condições de refazer a antiga aliança, rompida pelo pecado. Depois do pecado, o Salvador deveria ser necessariamente Deus e homem ao mesmo tempo.