Diocese de Novo Hamburgo

O Cristo da divina misericórdia - A voz da Diocese 259

Uma vez bem compreendida a mensagem da páscoa, também vamos entender a linguagem de nossa Igreja, quesimplesmente agora celebra uma série de domingos de páscoa. Dizemos diretamente “segundo domingo de páscoa,depois terceiro domingo, etc”. Cada domingo celebra de novo a ressurreição do Senhor.

O segundo domingo de páscoa, também chamado de “pascoela” ou “domingo in albis”, traz como mensagem central oencontro do Cristo ressuscitado com o incrédulo Tomé. Na verdade, este Tomé colocou uma dúvida que todos nós játivemos alguma vez na vida. Ele queria ver para crer.

Mas, como o Evangelho de João coloca tão claramente que “Oito dias depois, encontravam-se os discípulosnovamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meiodeles e disse: A paz esteja convosco. Depois disse a Tomé: Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende atua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas mais incrédulo, mas homem de fé” (Jo 20,26-27).

Tomé caiu por terra e exclamou: “Meu Senhor e meu Deus”! Trata-se de uma clara demonstração de fé. É umaverdadeira oração. Para todos os apóstolos estava claro que também o Tomé tinha entendido que Ele está vivo,ressuscitado.

O interessante é que os apóstolos estavam reunidos no mesmo lugar, precisamente oito dias depois, mais uma vez naprimeira feira. Até parece que os apóstolos estavam celebrando os oito dias da ressurreição e o Cristo ressuscitadoaparece, precisamente neste dia, para que não houvesse mais dúvida entre eles, porque desta vez o próprio Toméestava lá.

Por fim, Jesus disse ainda a Tomé: “Acreditaste porque me viste? Felizes os que crêem sem terem visto!” (Jo 20,29).Ali nós todos estávamos incluídos. Nós cremos sem ter visto ou sem termos tocado no Senhor vivo e ressuscitado.Nós cremos que tantas testemunhas. Ele é o ponto de partida para a nossa fé.

O bem-aventurado Papa João Paulo II viu neste episódio da incredulidade e do imediato perdão a expressão clara dadivina misericórdia do Senhor. Não é mais a misericórdia do homem Jesus, de antes da cruz. Trata-se agora de umencontro real do Tomé com o Cristo ressuscitado, um encontro com Deus. É um encontro em que acontece o perdão,um perdão total, uma misericórdia plena. Este Cristo ressuscitado é a misericórdia em pessoa.

É por isso, que o Papa João Paulo II chamava este segundo domingo de páscoa como o “domingo da divinamisericórdia”. É impressionante que no ano 205, este domingo era celebrado a 03 de abril, precisamente quando omundo inteiro estava com os olhos voltados para Roma, para o velório do Papa.