O bispo da Diocese de Rio Grande, Dom Ricardo Hoepers, orientará o Retiro dos padres da Diocese de Novo Hamburgo, que acontecerá entre os dias 7 a 10 de maio no Centro de Espiritualidade Cristo Rei (CECREI) em São Leopoldo. Terá início às 18h de segunda e encerrará às 12h com o almoço de confraternização. O tema proposto para reflexão é "O paradoxo de toda vocação: a alegria da missão e a tentação do abandono! Um olhar sobre a vida do profeta Elias".
Vivemos em “tempos maus”, dizemos frequentemente. Mas na realidade os “tempos bons” existem só na nossa curta memória nostálgica. Todas as épocas apresentam desafios e dificuldades que põem à prova a fé do fiel. 
O profeta Elias é uma das grandes figuras bíblicas. A sua personalidade extraordinária, o seu caráter intrépido e heroico, o carisma profético singular fizeram dele o profeta por antonomásia. Recordemo-nos que Elias aparece com Moisés, falando com Jesus durante a transfiguração. A sua figura continuou a suscitar um fascínio particular ao longo dos tempos na tradição judaica e cristã.
Hoje, temos necessidade de profetas de fogo e zelo como Elias, para testemunhar o Deus vivo e verdadeiro e promover a cultura da vida. Como obtê-los? Como despertar em nós o espírito de Elias? Como herdar uma “dupla porção” como pedira o seu discípulo Eliseu? Frequentando a sua mesma escola: retirando-se na solidão e convivendo com os pobres. Uma dupla escola. Como Jesus. Primeiro, no retiro de Nazaré e do deserto, para receber o ensinamento do Espírito e ser revestido pela sua força. Depois, convivendo com os pobres e a miséria do mundo para experimentar e receber a compaixão do Pai.
Se a estrutura de um edifício não é suportada por alicerces adequados, o prédio corre o risco de desmoronar-se. O mesmo acontece no caso da pessoa chamada a exercer um ministério na Igreja: é preciso, antes de tudo, que tenha estado a sós com Deus e que as raízes da sua espiritualidade tenham chegado às águas profundas da contemplação. Caso contrário, será um propagador de ideias, mas não uma testemunha. É necessário que o seu ouvido esteja habituado a 'ouvir', para que a língua seja capaz de falar. Sem tempo de deserto e solidão que favoreçam o encontro com Deus na oração, não há profecia.
Por isso, a primeira coisa que Deus faz com Elias é mandá-lo em retiro: “Retira-te daqui, e vai para o oriente, e esconde-te junto ao ribeiro de Querite…” (1 Reis 17,3). 
Saber “retirar-se”, “orientar” a própria vida, “esconder-se”, eis o abc de todo discípulo. É o mesmo convite que Jesus nos dirige: “Quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente” (Mateus 6,6).
As muitas barreiras criadas pelas diferenças sociais, étnicas, religiosas… separam-nos não só dos outros de diferente raça e cor, língua e cultura. Daí a insistência do Papa Francisco a convidar os pastores da Igreja (mas não só eles) a ir para as “periferias”.