O apóstolo Paulo demonstra ter entendido perfeitamente a orientação e o mandato missionário de Cristo: “Anunciar o Evangelho não é título de glória para mim; é antes, uma necessidade que se impõe. Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho”.
Em sintonia com o texto bíblico, compreendemos que a missão primeira da Igreja é a evangelização, isto é, anunciar o Evangelho a todos os povos, a todas as culturas, em todos os espaços. Servindo-se dos diferentes meios e processos, é responsabilidade e dever da Igreja levar a luz de Cristo a todos.
Para evangelizar no mundo urbano, precisamos, antes de tudo, indagar: quais são os critérios mais utilizados para ver e julgar os fatos, situações, instituições e pessoas? Quais são os valores que contam e orientam a vida e quais são os centros de interesses das pessoas? Que linhas de pensamento predominam? Quais são as fontes inspiradoras e os modelos de vida naquele prédio, vila ou rua?
O primeiro passo no processo de evangelização no mundo urbano é escutar. Trata-se de ir ao encontro das pessoas nas suas diferentes realidades para ouvi-las com atenção e misericórdia.
Diz respeito a compreendermos, com clareza, que a Igreja é chamada a ser instrumento e estar a serviço da promoção do Reino; que ela deve, antes de tudo, escutar, e despois, apontar o Cristo como modelo e projeto para uma nova humanidade, sobretudo por meio do exemplo.
Vale salientar que uma das características do mundo urbano é o descrédito em relação aos discursos, uma vez que não se acredita mais naquilo que apenas é dito. É preciso, pois, dar testemunho para ser merecedor de confiança.
No mundo urbano são diversos os espaços e os modos de as pessoas conviverem e se encontrarem, de estarem juntas buscando sentido para suas vidas. A Praça da Matriz, no centro da cidade, há muito tempo deixou de ser a referência do encontro das pessoas. Hoje, estamos todos conectados nas redes sociais. Há muita informação, mas a convivência é superficial, sem comprometimento.Não podemos mais esperar que as pessoas venham às nossas igrejas para nos escutar. Se pretendermos evangelizar, de fato, precisamos fazer o movimento inverso: sair dos nossos espaços e ir ao encontro em suas diferentes realidades e situações, dispostos a ouvir e a propor o Evangelho de Jesus Cristo como luz e caminho, para juntos construirmos o Reino de Deus.